Na próxima sexta (12/03), após meses de gestação comum, os sete integrantes do Núcleo VAGAPARA dão a luz ao espetáculo Fragmentos de um Só. A montagem, formada por sete solos independentes apresentados em agrupamentos diferenciados a cada sessão, é resultado do Prêmio Myriam Muniz de Teatro da FUNARTE. Eles ocupam os cômodos da Casa Preta (situada no 2 de Julho), proporcionando ao espectador uma experiência única a cada visita – que comporta uma privilegiada plateia de 20 pessoas por sessão. Numa iniciativa ousada, a montagem fica em cartaz diariamente, de 12 de março a 4 de abril, em horários que podem ser pela manhã, à tarde ou à noite. Para acompanhar a programação de perto, os visitantes contam com o blog
nucleovagapara.blogspot.com e ingressos a preço promocional de R$ 5.
Fragmentos de um Só tem uma estrutura que confunde as ideias de espetáculo e intervenção. Criados individualmente pelos intérpretes - gente na faixa dos “20 e poucos anos” - os solos se relacionam entre si por afinidades temáticas e pelo campo de vivência geracional e pessoal dos artistas. A montagem aborda questões de gênero, afetos, angústia existencial – com uma dose de bom humor, mas sem explorar fórmulas da comédia.
O espetáculo foi concebido pelos intérpretes-criadores no interior da Casa Preta, local que vinha funcionando como sede e espaço de ensaios do VAGAPARA. Em processo para tornar-se um espaço cultural, a Casa Preta, ocupada por um grupo de jovens empreendedores e artistas, acabou se tornando parte orgânica do espetáculo. Assim, prestes a marcar a pauta de estreia, o Núcleo optou por assumir esse espaço que acolheu tão bem seu processo criativo. Para isso, a Casa Preta passou por interferências da Miniusina de Criação (cenário) e da iluminadora Fernanda Mascarenhas para receber os sete solos e seu público. Completando a equipe criativa de Fragmentos de um Só, ambientação musical é de Jarbas Bittencourt e quem veste os personagens é Rino Carvalho.
O Núcleo VAGAPARA é: Isabela Silveira, que traça sua Cartografia de um Relevo Interno; Jorge Oliveira e seu Corpo Cabide; Lisa Vietra mostrando Calçolas; Lucas Valentim fazendo Serenata; Márcio Nonato, que enfrenta um cAstigO de luz AcesA; Paula Lice dizendo que Isto não é uma mala; e Olga Lamas aparece EM GOLE.
Estreia: 12/03, 20h
Temporada: 12/03 a 04/04, diariamente em diversos horários (cronograma de apresentações disponível no site)
Especial Viradão: 20/03, 23h30
Ingressos: R$ 5,00 (preço único promocional)
Local: Casa Preta
End.: Rua Areal de Cima, n 40, Dois de Julho
Informações:
Daniel Moura (produção) 71 8806-0661
Juliana Protásio (ass. de imprensa) 71 8789-2298
Os SOLOS
Cartografia de um Relevo Interno
Intérprete-criadora: Isabela Silveira
Reflexão de uma mulher que caminha entre os universos de comportamento referendados pelo desconcertante livro Vampes e Vadias, de Camile Paglia, e pelo açucarado Correio Feminino, de Clarice Lispector. Decidi partir para uma viagem - com esta afirmação, a artista inicia uma viagem em direção do castelo que traz em seu peito, numa jornada balizada por diferentes formas de se pensar o feminino. Ao fundir relatos pessoais e prosa poética, a personagem revela as lutas de uma mulher contemporânea às voltas com questionamentos entre sua individualidade e as expectativas sociais.
Corpo Cabide
Intérprete-criador: Jorge Oliveira
Vestir o corpo, cobrir partes do corpo, criar aparência. Segunda parte da pesquisa Estudo para Cabide – que pauta imagem, corpo, moda e questões de gênero – utiliza o movimento e vestimentas como metáforas para evidenciar corpo como suporte e o corpo como objeto. Trabalhando com uma ideia de “camadas”, questiona padrões de comportamento e a própria noção de individualidade.
Calçolas
Intérprete-criadora: Lisa Vietra
Resultado cênico de questões levantadas pela atriz a respeito dos efeitos da cultura patriarcal nos anseios da mulher contemporânea. Com humor oscilando entre doçura e acidez, ela questiona o pudor como virtude feminina, a negação da sexualidade e os padrões estabelecidos para manutenção das relações afetivas. Afinal, até que ponto o casamento ou a relação erótico-afetiva-estável e socialmente assumida, para a mulher, é uma escolha pessoal ou uma necessidade emocional e social? O maior problema para uma mulher é ser uma vagabunda ou uma encalhada?
Serenata
Intérprete-criador: Lucas Valentim
Inspirado por Roberto Freire e Paulo Leminsk, canções brasileiras, telenovelas e a publicidade que usa e representa o sentimento amoroso, o trabalho questiona valores e padrões do que comumente se chama amor e a forma de união entre duas pessoas. Para o intérprete, o amor é de acontecer assim: como acontece de amanhecer e de anoitecer. O amor é de acontecer agora!
cAstigO de luz AcesA
Intérprete-criador: Márcio Nonato
Pautado por experiências pessoais, mostra as determinações de gênero que perseguem o indivíduo desde a infância – como comportamentos, brincadeiras, roupas, atividades e gostos que costumam criar uma separação radical entre o que é “coisa de menino” e “coisa de menina”. Com base nesses conceitos, revela angústias que marcam a formação da personalidade e da própria sexualidade - Ele queria descobrir o quanto de “o” e o quanto de “a”’ tinha nele e ao redor dele. E lembra: “o” Sol é “uma” estrela.
EM GOLE
Intérprete-criadora: Olga Lamas
Olga parte da literatura e história de vida de Virgínia Woolf e sua própria semelhança física com a autora ... Hibridismo entre a mulher contemporânea e a do início do século XX, tendo como base e inspiração a vida e a obra da romancista britânica Virginia Woolf. No solo, a artista aborda os temas mais recorrentes do universo virginiano como o prazer, a dor, o (des)equilíbrio, os (des)limites, a vida e a morte, levando à cena uma dramaturgia que preza pela sutiliza e dilatação.
Isto não é uma mala
Intérprete-criadora: Paula Lice
Partindo de estratégias literárias recorrentes na obra de Ana Cristina César, este solo apresenta um recorte no universo de uma personagem cujo comportamento remete à atmosfera poética e boêmio que marcou a trajetória de artistas brasileiros cuja obra é caracterizada pelo intimismo. Pelo caminho do improviso e da repetição, um fragmento dessa mulher se esboça. Poesia, esquizofrenia e boas doses de café com conhaque.
SOBRE O NÚCLEO VAGAPARA
Criado em 2007, tendo em COOKIE (espetáculo premiado pelos editais Quarta que Dança 2007, na categoria work in progress, e posteriormente pelo Yanka Rudzka, de montagem - ambos da Fundação Cultural do Estado da Bahia) sua primeira realização, o Núcleo VAGAPARA é um coletivo de amigos e profissionais das áreas de dança e teatro que, por afinidades artísticas, resolveram se reunir para discutir suas inquietações e colaborar coletivamente na realização projetos que dessem vazão a elas.
Os artistas do Vagapara não se preocupam em separar teatro e dança, pelo contrário: exploram os limites e interseções entre ambos, utilizando-os no incremento do produto final.
E além dessas linguagens, fazem questão de pesquisar em outras áreas e atraí-las para dar corpo à expressão dos questionamentos e descobertas revelados através dos projetos abraçados pelo Núcleo.
FICHA TÉCNICA:
Intérpretes-criadores (Núcleo VAGAPARA) + colaboradores individuais:
1. Isabela Silveira (Celso Jr. e Thulio Guzman) ;
2. Jorge Oliveira (Rino Carvalho e Dandara Baldez);
3. Lisa Vietra (Isaura Tupiniquim e Cláudia Barral);
4. Lucas Valentim (Giltânei Amorim, João Meirelles, Fábio Ferreira e Cláudia Barral);
5. Márcio Nonato (Consuelo Maldonado, Fabio Ferreira e Cláudia Barral);
6. Paula Lice (Saulo Moreira e Marcelo Sousa Brito);
7. Olga Lamas (Fábio Bruno Guimarães e Tina Melo)
Orientação de criação solo: Fábio Vidal
Cenografia e ambientação: Miniusina de Criação
Iluminação: Fernanda Mascarenhas
Direção musical: Jarbas Bittencourt
Figurino: Rino Carvalho
Programação visual: Talis Castro
Assessoria de Comunicação: Juliana Protásio
Assessor de conteúdo digital: João Cappello
Coordenação de produção: Daniel Moura
Produção Executiva: Patricia Rammos
Assistentes de Produção: Roberta Miranda
Patrocínio: FUNARTE - Fundação Nacional de Artes, através do Prêmio Myriam Muniz de Teatro