Olá,
A partir de hoje, eu – Emanuela Carvalho - estarei aqui, dividindo com vocês esse espaço pra falar um pouco sobre literatura. Os livros mais vendidos, os lançamentos, enfim, tudo que há de bom e novo, vai estar aqui na nossa coluna.
O primeiro livro a ser comentado é A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini – Editora Nova Fronteira. Antes de saber sobre o livro, vamos saber um pouco sobre o local onde a história acontece, o Afeganistão:
O Afeganistão é um país que abriga um povo muito sofrido. Desde a antiguidade é invadido e ocupado, seja pelos árabes muçulmanos ou ex-soviéticos, (esses últimos causaram uma destruição em massa da população afegã, de 1979 até 1996, o que acabou gerando o ódio do povo, principalmente dos fundamentalistas do Talibã).
O Talibã (Taleban, talebã ou taliban) é um movimento formado inicialmente por estudantes, que prega as obrigações familiares dos homens, a piedade e a obediência. Radical, traiu o povo afegão, que sonhava com a liberdade e o fim da dominação soviética. Justamente o contrário aconteceu, pois o Talibã se mostrou muito mais rigoroso e desumano com o povo, principalmente com as mulheres, as crianças e os idosos. O movimento tomou posse da maior parte do Afeganistão em 1996.
A história do Afeganistão e do Talibã tomou maior dimensão depois do ataque às Torres Gêmeas e ao Pentágono, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001.
É nesse lugar, cercado de violência e atrocidades, que Khaled Hosseini, um médico afegão que foi viver nos EUA depois de sair do seu país em 1976, se inspira para escrever o seu segundo romance, A Cidade do Sol. O primeiro, O Caçador de Pipas (será comentado em breve) é um dos maiores sucessos de venda dos últimos anos.
A Cidade do Sol fala, entre outras coisas, do sofrimento das mulheres e das crianças no Afeganistão, tanto no período da invasão dos soviéticos, quanto na época em que o Talibã tomou o poder. As atrocidades eram tantas, que até “empinar pipa” se tornou proibido.
A vida no Afeganistão passou a ser melhor e um pouco mais digna depois da ocupação do país pelos americanos, como forma de prevenir outros ataques terroristas e tentar acabar com o regime Talibã. O romance traz um grande apelo emotivo, o que nos leva a avaliar a vida dessas pessoas e a nossa própria vida. A leitura é fascinante e instigante.
Segue a sinopse do livro:
Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos.
Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos.Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.
Falarei mais sobre as Leis do Talibã no comentário do próximo livro Mulheres de Cabul.
Um abraço,
Emanuela Carvalho