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Guerra ao Terror
Colunista: Evaldo Pereira Da Silva Júnior
Bacharel em Direito pela Ufba. Divulgador do Portal do carmo.
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Título Original- The Hurt Locker 
Título Nacional- Guerra ao Terror
Diretor- Kathryn Bigelow
Gênero- Guerra/Drama
Ano- 2008

- Quantas indicações!

Além da certa surpresa por ter conseguido tantas indicações, ainda me deparo com a "novidade" de que o filme é, de fato, de 2008. Quantos percalços esse filme não deve ter corrido para conseguir ser indicado. Curioso. O filme é uma obra que pretende redefinir como se fazem filmes de guerra, com uma abordagem mais pessoal, menos focada na ação, buscando tratar os sentimentos daqueles envolvidos num conflito desse estilo. É verdade que por isso Guerra ao Terror consegue seu maior mérito e mereceria sim algum prêmio por conta dessa capacidade de ousar. O que não dá para engolir muito bem é a supervalorização com a penca de indicações para um filme que apesar de ter seus méritos possui muito mais defeitos que qualidades. 

O longa conta a história pela qual os soldados americanos passam no meio da Guerra do Iraque e as reações dessas pessoas no meio de tudo isso. O filme é como se fosse um diário de guerra das experiências, vivências, situações, emoções, dificuldades pelas quais tais sujeitos passam. Isso é bom, é interessante, tem seu valor e agrega bastante, não há dúvidas. A "história" começa quando o chefe do time responsável pelo desarmamento das bombas morre numa operação e então é assinalado um substituto para sua posição. Essa pessoa é interpretada (muito bem, diga-se de passagem) por Jeremy Renner fazendo William James. Ele vai se juntar a mais dois companheiros, o Sgt. JT Sanborn e o especialista Owen Eldridge. Logo no primeiro momento já se vê que William não é um cara muito normal. 

Na primeira missão do novo grupo William já resolve mostrar para que veio e ignorando todos os avisos dos companheiros se aventura para desarmar uma bomba. O momento de tensão dele com o restante do time só vai se agravar mais e mais à medida que eles enfrentam mais missões. Logo aqui já se pode comentar a respeito de um aspecto complicado (no mínimo) do longa. A sucessão de eventos. Ela é horrível! É enfadonha ao extremo, demorada e faz com que o espectador fique rezando para acabar e partir para outra, o problema é que a seguinte será igual ou pior a anterior. O filme é literalmente um diário com capítulos quase que independentes um do outro, ligados apenas por uma fina linha temporal que sucede os eventos. Alia-se a isso a característica insuportável de William, um soldado extremamente egoísta, irresponsável, sem o menor senso de grupo ou liderança. 

É claro que tais "capítulos" são interessantes até o ponto que te fazem ver como William é estúpido e até onde ele vai ser capaz de chegar com suas atitudes irritantes. O filme tem seu mérito em construir esse tipo de sentimento em quem assiste, mas ao mesmo tempo isso é uma “faca de dois gumes”, pois o espectador não cria um laço de empatia nem que seja mínimo, pois as ações do soldado são completamente incompreensíveis. Não é que se queira sempre o mocinho ordeiro protetor dos fracos e cúmulo da bondade, mas há um limite para tudo e é nisso que Guerra ao Terror peca. O filme perde a linha desse limite em diversos momentos. Tentaram criar um personagem altamente complexo em William, mas no final ele não é nada disso é apenas um cara extremamente fraco de espírito, mas com uma grande perícia no que faz, extremamente insuficiente para justificar suas ações. Os outros soldados do grupo são mais bem construídos do que ele. 

O filme segue essa toada o tempo todo. Ultrapassa mais limites ruins que bons. Além do aspecto da caracterização de William, fica também o erro na condução dos capítulos. A grande maioria é muito longa, parada, tentando dar um aspecto de verossimilhança extremo, mas fica perdido pelo exagero na realização. Some-se a isso a falta de surpresas, o filme é de uma previsibilidade extrema não há uma situação que te faça ficar com aquele nó na garganta e essa é sem dúvida um dos grandes charmes da vida, o inesperado, a incerteza. Se o filme quer tanto ser fiel a uma vivência num campo de guerra que o fizesse bem em todos os sentidos e não na parte que conviesse. Para finalizar o ufanismo americanista está lá firme e forte, ponto totalmente contrastante com a busca por realismo do filme. Seria muito mais interessante um filme na linha de Rede de Mentiras em quem ninguém é vilão ou mocinho do que a imagem estereotipada de que os americanos estão lá para protegerem os iraquianos, enquanto estes estão sempre tentando boicotar sua própria proteção sem nenhuma razão aparente, apenas por causa de um ódio incontido e injustificado que fica claríssimo apenas pelas tomadas das expressões do povo durante as cenas. 

Por esses e outros aspectos que deixariam a resenha muito longa e cansativa Guerra ao Terror não merecia sequer metade das indicações que teve. Concordo com a de melhor ator, melhor direção e melhor roteiro original, não pelo roteiro em si, mas pela originalidade de arriscar uma nova forma de se fazer filmes de guerra. Convenhamos que para algo criado “do nada” o resultado é muito mais esperançoso do que de desânimo. Se conseguirem enxergar os defeitos do filme e realçarem ainda mais as qualidades em produções futuras podemos estar vendo mais uma revolução no cinema americano, mesmo que restrita a este estilo, mas que precisava sim de novo fôlego. É um filme difícil de indicar para que tipo de pessoa ele pode agradar o que dá para dizer é que se você gosta de cinema deve sim dar uma chance a Guerra ao Terror
Nota: 7,0


Data de Publicação: 08/03/2010
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